Compartilhe
O coronel Alexandre Ramalho afirma, na entrevista abaixo: só será candidato nas eleições deste ano se for para concorrer à vaga de senador pelo Espírito Santo. “Para mim, é Senado ou nada”. Não há hipótese alguma de ele ser candidato a deputado federal ou a qualquer outro cargo.
Indo além, o ex-comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (2018) e ex-secretário estadual de Segurança Pública (2020-22) declara que gostaria de ter o nome apoiado por Renato Casagrande (PSB), de quem é aliado, mas que será candidato ao Senado mesmo sem o apoio declarado do governador.
Para viabilizar a candidatura, o coronel da reserva se diz determinado a se lançar em uma chapa avulsa por sua sigla, o Podemos, sem partidos aliados.
Na eleição para o governo estadual, o Podemos vai se coligar com o PSB e apoiar a reeleição de Casagrande. Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu manter no pleito deste ano uma regra fundamental para as aspirações de Ramalho: partidos pertencentes a uma mesma coligação na eleição ao governo estadual podem formar duas ou mais chapas independentes, dentro da mesma coligação, na disputa para o Senado.
Casagrande já afirmou que seu desejo pessoal é que seu grupo de partidos aliados tenha um só candidato ao Senado. Portanto, a tendência é que ele só declare apoio a um postulante (a mais cotada é a atual senadora Rose de Freitas, presidente estadual do MDB e candidata à reeleição).
Mas, tecnicamente, o Podemos poderá lançar Ramalho mesmo que ele seja preterido pelo governador.
Politicamente, o próprio Ramalho garante que esse plano conta com a concordância do Podemos e do presidente estadual do partido, o ex-prefeito de Viana Gilson Daniel.
Eis a entrevista completa:
O senhor é candidato ao Senado e só ao Senado?
Hoje sim. Só ao Senado. A nossa proposta vem nesse sentido. Analisando uma candidatura a deputado federal, que muitos presidentes de partidos nos procuraram para ser, eu não fiz política partidária. Fiz política pública, dentro de uma equipe de governo e dentro de um programa específico de governo, que é o Estado Presente, reduzindo os homicídios no Espírito Santo. Eu não tive tempo de me relacionar com prefeitos no sentido de fazer uma política partidária para no futuro pensar numa eleição. Eu nunca fiz isso. Então, no momento em que despertei para isso, em janeiro deste ano, o timing político já estava bastante avançado. E, numa candidatura majoritária, enxergo uma grande possibilidade: você coloca o seu nome e não fica fazendo contas.
Só depende do seu desempenho…
Depende do seu desempenho, de a sociedade entender que você tem serviços prestados. E, humildemente, acho que tenho uma carta de serviços muito relevantes prestados ao Estado do Espírito Santo, no campo da segurança pública. E me vejo competitivo para disputar essa vaga no Senado. Então hoje o meu pensamento é totalmente voltado para o Senado, e não vejo nenhuma possibilidade de “descer” para deputado federal ou estadual. Não está nos meus planos.
Nenhuma possibilidade? O senhor não será candidato a deputado federal?
Não.
Não há a menor hipótese, a mais remota possibilidade?
Não. Meu projeto é Senado.
Muito menos deputado estadual?
Não, porque não é minha pauta. Minha pauta é a legislação federal de segurança pública. Não teria sentido entrar para estadual se minha pauta é em Brasília.
Então é Senado ou nada?
Para mim, é Senado ou nada. Não tem nenhuma outra possibilidade.
Se pudermos retroceder um pouco nesse histórico recente de articulações, acho que esse nó a ser desatado pelo Podemos começa a ser apertado no dia 2 de abril, data final para definição de filiações partidárias de todos os pré-candidatos a todos os cargos em disputa. Nesse dia, o senhor já estava filiado ao Podemos, mas foi muito assediado por outros partidos. O senhor estava em Aparecida do Norte, São Paulo, certo?
Em Aparecida. Eu estava em oração. Fui para agradecer uma questão minha com a minha esposa. Foram dois anos difíceis para a minha família.
Mas deu para orar e descansar? Imagino que o seu celular não tenha parado…
Deu, deu… Essa pressão na verdade começou no sábado, e eu já estava em Campos do Jordão. Já tinha feito minhas orações em Aparecida.
A chapa de candidatos a deputado federal do Podemos começa a sofrer um abalo com a saída do médico Gustavo Peixoto, que confirma a ida para o União Brasil naquele sábado de manhã. Ao mesmo tempo, o senhor sofreu um assédio forte. O senhor confirma ter sido convidado por partidos de fora do arco de aliados do governador Renato Casagrande?
Confirmo. Só o União Brasil. Conversei com o deputado Felipe Rigoni durante o dia. Mas, ao mesmo tempo, a gente também conversava com o presidente do Podemos [Gilson Daniel], e ele garantiu que manteria a chapa de federal e também manteria a nossa candidatura ao Senado.
Naquele dia, então, o senhor chegou a receber do Rigoni um convite com tapete vermelho para ser candidato a senador pelo União Brasil?
Não digo com tapete vermelho. Mas com garantia de que, se eu fosse para o União Brasil, seria o candidato ao Senado.
Lembro que, já perto da meia-noite daquele sábado, perto do encerramento do prazo fatal, por mensagem de Whatsapp, o senhor me disse que recebeu de Gilson Daniel a garantia de que, ficando no Podemos, o senhor seria mesmo candidato a senador. É isso?
É isso. Recebi essa garantia e tenho essa garantia até hoje.
Isso está mantido?
Está mantido.
E quanto ao próprio governador?
Com o governador conversamos, e ele falou: “É uma decisão sua. Eu não posso garantir nada agora em termos de majoritária. Vai trabalhando, e a gente vai conversando lá na frente”.
Esse “lá na frente” está chegando agora: estamos à beira do mês das definições. E o governador disse há poucos dias que a preferência pessoal dele é que, no grupo político dele, só haja um candidato ao Senado, por estratégia eleitoral. E há outros nomes, como Rose de Freitas, Da Vitória, e ele está andando para todos os lados com ambos. Se o senhor for preterido pelo governador, mesmo assim mantém sua candidatura?
Olha, é claro que é muito importante se a gente estiver ao lado do governador Renato Casagrande, pela parceria que foi estabelecida nesses dois últimos anos, por eu ter feito parte da equipe de governo, com toda a lealdade e consideração que nós temos à pessoa do governador Renato Casagrande. Mas, se a escolha for outra, eu agora, de pronto, diria para você: eu manteria a minha candidatura.
Como viabilizar isso?
Aí é que tá: aí nós temos que discutir internamente no partido. A legislação eleitoral hoje permite que, na aliança, você possa ter a sua independência dentro do partido. Agora, o partido vai querer fazer isso?
Eis a questão. Eu lhe devolvo a pergunta.
Aí é uma construção com o presidente, Gilson Daniel. Até onde a gente tem conversado, ele tem disposição de fazer isso. Agora, obviamente que vai chegar a convenção e essa decisão vai ser melhor tomada. Mas eu teria total vontade de vir na disputa. Entendo que tenho potencialidade, que minha bandeira [da segurança pública] é muito forte, que eu tenho representatividade na segurança pública.
Ecoando novamente a sua pergunta: o partido vai querer isso? Ou, para ser mais específico, o Gilson Daniel, como presidente estadual do Podemos, vai topar endossar uma candidatura avulsa do senhor ao Senado, mesmo “contrariando” a vontade já expressa pelo governador?
Tem que fazer essa pergunta para ele. Mas eu tenho conversado com o Gilson, e nós temos mantido esse propósito. Acho que o projeto está bem consolidado. Larguei bem nas pesquisas, mesmo sem nunca ter dito que sou candidato. É importante a gente estar na disputa, independentemente do resultado final. Eu gostaria muito de estar participando. Acho que esse é o grande barato da majoritária: você coloca o nome à disposição da população e ela decide.
Objetivamente, o senhor e Gilson Daniel já discutiram mesmo essa ideia da candidatura avulsa, caso o governador abrace outro candidato ao Senado?
Já, sim. Te confesso que superficialmente, porque a gente está deixando o governador à vontade para fazer a escolha dele. Mas o Gilson tem repetido que manteria essa candidatura.
O que se comenta muito é que o Gilson Daniel contava com o senhor para deputado federal ao lado dele na chapa, mas que a sua saída (ou subida) para o Senado prejudica muito a ele mesmo, na medida em que, sem o senhor, a chapa de federais do Podemos pode ter dificuldades em atingir aquela marca de 160 mil votos que os dirigentes estimam como número mínimo necessário para fazer um federal no Espírito Santo…
Só queria corrigir a sua fala: não é “a minha saída”. Desde que fui convidado para esse processo, lá atrás, eu falei que viria na condição do Senado. Então Gilson sabia disso o tempo todo. Isso foi colocado para ele. Na verdade, quem sai da chapa não sou eu. É o Gustavo Peixoto [no dia 2 de abril]. Gustavo é que, aos 45 minutos do segundo tempo, tomou a decisão que compete a ele. Não vai nenhuma crítica a ele nesse sentido. Mas não fui eu que saí da chapa. Desde o início, coloquei para o Gilson Daniel que meu projeto era o Senado. E, quando houve a saída do Gustavo Peixoto, recebi novamente o contato do Gilson e do governador. Eles me perguntaram se eu continuava candidato a senador ou se iam contar comigo na chapa de federais. Eu respondi: “Continuo para o Senado”. Isso foi respeitado tanto pelo governador como pelo Gilson Daniel, com a garantia da minha pré-candidatura ao Senado.
O senhor pode se manter na disputa ao Senado e o Gilson, sim, “descer” para deputado estadual?
Não, nunca conversei sobre isso com ele. De novo: tem que perguntar a ele. Ele está confiante na chapa de federais do Podemos. Estão ele, o [vice-prefeito de Vila Velha] Victor Linhalis, o [ex-vereador de Guarapari] Gedson Merízio, entre outras pessoas. Gilson fez um grande governo em Viana, foi reeleito com sobras [em 2016], foi muito bem na eleição do sucessor dele em 2020 e fez um grande trabalho no governo também, tanto como secretário de Governo quanto nos três últimos meses, como secretário de Planejamento. É um cara que tem uma pegada muito forte em gestão pública, é um contador de carreira, domina muito esses processos de compras e licitação, foi presidente da Amunes, ajudou muito os municípios. Então, tem um histórico de proximidade com os municípios.
Última pergunta: e se não der certo?
Rapaz… se não der certo… não deu, né? Tentamos. Mas não tem nenhum outro projeto por ora, não.
Eleição municipal daqui a dois anos?
Não, não sei… Não é isso que passa na nossa cabeça agora, não. Agora o projeto é ir para o Senado.
Matéria extraída na íntegra do portal ES360. Escrita por Vitor Vogas: https://es360.com.br/coronel-ramalho-sobre-eleicoes-para-mim-e-senado-ou-nada/