Compartilhe
Você sabe quem são os candidatos ao governo do Espírito Santo? Ao término do período de convenções, encerrado na última sexta-feira (5), sete partidos lançaram oficialmente concorrentes na corrida rumo ao Palácio Anchieta.
São eles: Aridelmo Teixeira (Novo), Audifax Barcelos (Federação Rede/Pol), Capitão Sousa (PSTU), Carlos Manato (PL), Cláudio Paiva (PRTB), Guerino Zanon (PSD) e Renato Casagrande (PSB).
Abaixo, para ajudar os leitores e leitoras a entenderem quem é quem nessa disputa, apresentamos, por ordem alfabética, um miniperfil de cada um:
1. Aridelmo Teixeira (Novo)

Fará 58 anos no próximo dia 12. É professor, empresário e sócio fundador da Fucape Business School, faculdade particular especializada em administração de empresas.
Foi candidato a governador em 2018, pelo PTB (partido que ainda não estava sob o raio de influência do bolsonarismo). Como ele mesmo admite, foi uma candidatura improvisada, lançada para defender o legado de Paulo Hartung – com quem tem ligação política.
Logo depois daquela eleição, entrou para o Novo. Desde então, tem se dedicado a estruturar o partido e difundir suas ideias no Espírito Santo.
Após a vitória eleitoral de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na Capital em novembro de 2020, compôs a equipe de transição do prefeito eleito. De janeiro de 2021 a março deste ano, foi secretário municipal da Fazenda da administração Pazolini.
Assim como o próprio Novo, representa a direita liberal, defendendo as bandeiras do partido, como menor intervenção do Estado no mercado e na economia.
A exemplo de outros desafiantes, não economiza críticas ao governo Casagrande. Promete revolucionar a educação pública estadual e tornar o Espírito Santo o estado com a menor carga tributária do país, além de acabar com o Fundo Soberano e promover uma “revolução social”.
Não terá partidos coligados.
Para a Presidência, apoia no 1º turno o cientista político Luiz Felipe D’Ávila, candidato do seu partido. Em eventual 2º turno entre Lula e Bolsonaro, apoiará o atual presidente.
Candidata a vice-governadora: a jornalista Camila Domingues
Candidato a senador: não possui
Coligação (até o momento): o Novo vem sozinho
2. Audifax Barcelos (Federação Rede/Psol)

Audifax foi prefeito da Serra, cidade mais populosa e maior colégio eleitoral do Estado, por três mandatos: de 2005 a 2008 e de 2013 a 2020. Isso após ter sido secretário municipal em várias áreas em prefeituras da Grande Vitória, como a de Vila Velha e a da própria Serra.
Também foi secretário estadual de Planejamento (2009-2010) no segundo governo Paulo Hartung e deputado federal (2011-2012), pelo PSB. No pleito de 2010, foi o candidato mais votado para esse cargo no Espírito Santo, com 161.856 votos.
Economista e administrador por formação, o ex-prefeito de 57 anos vem para essa disputa enfatizando a própria experiência e a capacidade como gestor público, bem como realizações à frente da Prefeitura da Serra.
Tem subido o tom das críticas ao atual governo e ao governador. No lançamento da sua candidatura, chegou a dizer que Casagrande não é gestor.
Já passou pelo PT, pelo PDT, pelo PSB e, desde 2015, está na Rede Sustentabilidade.
São todos partidos de esquerda ou centro-esquerda. Mas, fugindo de qualquer tipo de rótulo e da polarização ideológica, diz que está acima de ideologias e que não está preocupado com isso. À Presidência, já declarou que apoiará quem o apoiar.
Nacionalmente, a Rede formou uma federação com o Psol, replicada forçosamente no Espírito Santo. Mas, na prática, o Psol não vai apoiá-lo na eleição para o governo estadual.
Audifax, porém, busca outros apoios. Já conta oficialmente com o do Solidariedade (SD) e garante também ter assegurado o do Avante, em um acordo fechado diretamente por ele com a direção nacional. Até o momento, a Executiva Estadual do Avante não homologou a aliança.
Candidato a vice-governador: indefinido. Uma opção é o presidente estadual do SD, Douglas Pinheiro
Candidato a senador: indefinido. Oficialmente, a federação Rede/Psol homologou a candidatura do historiador Gilbertinho Campos (Psol). Mas a assessoria de Audifax informou que ele pode apoiar o pastor Nelson Junior (Avante)
Coligação (até o momento): Rede/Psol, SD e (talvez) o Avante
3. Capitão Sousa (PSTU)

Aos 38 anos, Sousa será candidato ao governo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), agremiação de orientação marxista.
É capitão da ativa da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). Atualmente está lotado no 9º Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim, onde exerce funções administrativas.
Chegou à patente no início de 2020, mas integra os quadros da PMES desde 2008, ano em que ingressou na tropa, como soldado.
Foi candidato a prefeito de Castelo pelo Patriota, numa eleição suplementar, em 2019, sem êxito nas urnas.
Em 2020, foi candidato a vice-prefeito de Cachoeiro, na chapa encabeçada por Joana D’ark, do PT, também sem sucesso.
Tal como seu partido, prega a revolução da classe trabalhadora e a superação do sistema capitalista pela construção do regime socialista. Defende a desmilitarização da Polícia Militar e é a favor da legalização do consumo da maconha e de outras drogas hoje ilícitas no país.
Pertence ao movimento “Policiais Antifascismo”, fundado em 2017.
Não formará coligação.
Na disputa pela Presidência, apoia a candidata do seu partido, a cientista social Vera Lúcia.
Candidata a vice-governadora: a jornalista Soraia Chiabai (PSTU)
Candidato a senador: o funcionário público Filipe Skiter (PSTU)
Coligação (até o momento): o PSTU vem sozinho
—
4. Carlos Manato (PL)

Médico e empresário, foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos, de 2003 a 2018.
Passou a maior parte da carreira política no PDT. Teve passagem pelo Solidariedade. Em 2018, apoiando Jair Bolsonaro, foi candidato a governador pelo PSL, partido pelo qual o então deputado federal chegou à Presidência.
Impulsionado pela “onda Bolsonaro”, surpreendeu e por pouco não chegou ao 2º turno naquele pleito, contra Casagrande, com 27% dos votos válidos.
Desde então, engajou-se ainda mais no bolsonarismo. Passou os últimos quatro anos sem mandato, mas fazendo oposição ao governo Casagrande nas redes sociais e participando de manifestações da direita bolsonarista.
Agora está no PL, sigla pela qual o presidente concorrerá à reeleição. Com o ex-senador Magno Malta, presidente do PL no Estado, formará a chapa “Magnato”, já que Magno tentará retornar ao Senado.
Conta ainda com o apoio do PTB, partido que em março recebeu a filiação de sua esposa, a deputada federal Soraya Manato (eleita pelo PSL em 2018).
Manato afirma representar a “direita conservadora” no Espírito Santo e considera-se o único candidato autenticamente bolsonarista ao governo estadual.
Candidato a vice-governador: o empresário Bruno Lourenço, presidente estadual do PTB
Candidato a senador: Magno Malta, presidente estadual do PL*
Coligação (até o momento): PL e PTB
* Tanto Bruno quanto Magno devem se licenciar da presidência das respectivas agremiações durante a campanha
—
5. Cláudio Paiva (PRTB)

Tem 62 anos, é contador, administrador, psicanalista, coach, consultor empresarial e auditor de qualidade pelo IEL-ES. Já foi consultor do Sebrae-ES e trabalhou na viação Itapemirim. É dono da empresa IBGL (Instituto Brasileiro de Gestores e Líderes), que oferece treinamento empresarial.
Está filiado há quatro anos ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), sigla de direita fundada por Levy Fidelix, falecido em abril de 2021. É o partido pelo qual o general Hamilton Mourão, hoje no Republicanos, elegeu-se vice-presidente da República em 2018.
Paiva apresenta-se para essa disputa sem partidos aliados e como um candidato de direita, entoando o slogan do partido: “Deus, pátria e família”. Diz que defenderá os “valores da família” e, acima de tudo, a geração de empregos, por meio da atração de empresas para o Espírito Santo.
No plano nacional, o PRTB apoia a reeleição de Jair Bolsonaro.
Candidato a vice-governador: o advogado Marco Aurélio Carvalho Ferreguetti (PRTB)
Candidato a senador: o ex-presidente estadual do PRTB Antonio Bungenstab de Lima
Coligação (até o momento): o PRTB vem sozinho
—
6. Guerino Zanon (PSD)

Aos 66 anos, Guerino Zanon é um recordista: foi prefeito de Linhares por cinco mandatos, o primeiro deles iniciado ainda nos anos 1990.
Professor de Física e sócio fundador da Faculdade de Ensino Superior de Linhares (Faceli), entrou na vida pública como secretário de Planejamento do município, de 1993 a 1996.
Governou a maior cidade do Norte do Estado de 1997 a 2004, de 2009 a 2012 e de 2017 a março deste ano.
Também foi eleito deputado estadual por dois mandatos e chegou a presidir a Assembleia, de 2007 a 2008. Na eleição de 2006, foi o candidato a deputado estadual mais votado, tendo alcançado 65.704 votos. Com essa marca, até hoje é o candidato mais votado da história do Espírito Santo para esse cargo.
Como vitrine da sua campanha, aposta na sua capacidade como administrador público e no boom econômico experimentado por Linhares nas últimas duas décadas.
No finzinho de março, trocou o MDB pelo PSD, partido do ex-ministro Gilberto Kassab, e renunciou ao quinto mandato de prefeito, para viabilizar a candidatura ao governo.
Tem perfil de centro-direita e é, de todos, o candidato mais ligado ao ex-governador Paulo Hartung (sem partido). Foi secretário estadual de Esportes e Lazer por duas vezes em administrações de Hartung: de 2005 a 2006 e no 1º semestre de 2016.
Na eleição presidencial, declarou apoio a Jair Bolsonaro.
Candidato a vice-governador: indefinido
Candidato a senador: indefinido
Coligação (até o momento): PSD, DC e PMB
—
7. Renato Casagrande (PSB)

Aos 61 anos, o atual governador é candidato à reeleição. Buscará exercer o seu terceiro mandato no Palácio Anchieta.
Já concorreu a governador em quatro oportunidades: ganhou duas e perdeu duas.
Após breve passagem pelo PCdoB e pelo MDB nos anos 1980, construiu sua trajetória política no Partido Socialista Brasileiro (PSB), sigla pela qual exerceu todos os seus mandatos.
Foi deputado estadual (1991-1994), vice-governador de Vitor Buaiz (1995-1998) e secretário estadual de Agricultura. Em 1998, concorreu ao governo pela primeira vez, na eleição vencida por José Ignácio Ferreira.
Tornou-se deputado federal em 2002, senador em 2006 e governador em 2010. Em 2014, não conseguiu se reeleger, tendo perdido a eleição para Paulo Hartung. Na eleição passada, em 2018, voltou ao Palácio Anchieta, vencendo no 1º turno.
É secretário-geral do PSB no país. Assim como seu partido, pode ser considerado um político de centro-esquerda. Mas neste pleito, assim como em suas eleições anteriores, formou uma ampla coalização que inclui partidos de esquerda, de centro e de direita.
Na eleição à Presidência, mantendo coerência com a aliança nacional do seu partido, concretizada na chapa Lula/Alckmin (PSB), apoia o candidato do PT. Já declarou que votará em Lula e que fará campanha unicamente para ele no Espírito Santo.
Lançou publicamente sua campanha, em julho, dizendo que “o melhor está por vir”, exaltando sua “coragem” e “equilíbrio”, destacando indicadores positivos do atual governo (com ênfase na gestão da pandemia) e defendendo que as atuais políticas públicas não podem ser interrompidas.
Coligação: de longe a maior no Espírito Santo, inclui seis partidos e mais duas federações (totalizando 11 siglas): PSB, PDT, PP, Pros, Podemos, MDB, Federação PSDB/Cidadania e Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV)
Candidato a vice-governador: o ex-senador Ricardo Ferraço (PSDB/Cidadania)
Candidata a senadora: a atual senadora Rose de Freitas (MDB)