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Matéria reproduzida na íntegra do portal ES 360. Autor: Vitor Vogas. https://es360.com.br/neucimar-ramalho-e-quem-mais-agrega-a-casagrande-como-candidato-ao-senado/
O deputado federal Neucimar Fraga (PP) é um dos mais experientes e operosos articuladores em atividade da política capixaba, tanto no Espírito Santo como em Brasília. Conhecido por seu pragmatismo, o aliado de Renato Casagrande (PSB) compartilha de modo bem direto, na entrevista abaixo, suas opiniões e impressões sobre a montagem final da chapa majoritária a ser liderada pelo governador no iminente processo eleitoral.
Para Neucimar, Alexandre Ramalho (Podemos) é o candidato ao Senado que mais tem a agregar a Casagrande numa parceria eleitoral, se o coronel tiver o apoio do governador – a favorita hoje para ser a candidata oficial do Palácio Anchieta e fazer campanha casada com Casagrande é a senadora Rose de Freitas (MDB).
Já para a vaga de vice de Casagrande, o ex-prefeito de Vila Velha expressa certa preferência pelo empresário e ex-presidente da Findes Léo de Castro (PSDB). Mas enumera outros cinco nomes que podem ocupar o posto: dois do PSDB (Ricardo Ferraço, além de Léo); dois do Podemos (Ramalho e Gilson Daniel); e dois do seu PP (Marcus Vicente e Josias da Vitória).
Neucimar ainda pontua o que cada um desses seis cotados acrescenta a Casagrande se for seu companheiro de chapa.
Abaixo, a primeira parte do pinga-fogo:
Casagrande tem três aliados que podem se candidatar ao Senado: Rose, Ramalho e Da Vitória. Qual dos três o senhor acha que ele deveria escolher?
Quem melhor pontua nas pesquisas e quem tem mais possibilidade de crescer durante o processo eleitoral e ajudá-lo com algum eleitor que ele não tem.
Alguém com perfil diferente do dele?
Com perfil diferente. A Rose é um perfil mais de interior, da relação com os prefeitos, com os municípios, onde ela sempre atuou bem. Mas é com esse tipo de eleitor que Renato está precisando de reforço? Da Vitória já é um militar, que tem uma boa articulação no setor produtivo, que tem uma boa relação também com os prefeitos do interior e já não tem muito na Grande Vitória, assim como a Rose. E tem o Ramalho, um candidato da área militar, que é mais centro-direita e que tem um eleitorado mais forte na Grande Vitória, que pode ser onde o Renato esteja precisando se fortalecer. Com certeza o Renato vai fazer uma pesquisa “quali” e vai ver qual desses três agrega mais a ele e à sua candidatura. E, a partir daí, tomar a sua decisão.
Na sua avaliação, qual dos três agrega mais a ele? E em qual segmento do eleitorado o governador precisa de um reforço maior?
Renato precisa de um reforço maior na Grande Vitória e também no eleitorado mais de centro-direita.
Então, combinando esses dois fatores, Ramalho é quem poderia representar esse reforço maior para ele?
Se Ramalho mostrar possibilidade de crescimento até a eleição. Acho que ele começou a colocar o nome agora. As pesquisas estão mostrando que não tem favorito na eleição ao Senado. E vamos ver agora, até agosto, quem está na raia do Renato e pode crescer mais. O jogo para o Senado está zerado.
O senhor considera que Da Vitória quer mesmo ser candidato a senador e está trabalhando para isso?
Da Vitória tem deixado bem claro isso, que ele quer ser candidato a senador. Mas ele fez uma pesquisa “quali” e tem alguns elementos que ele precisa levar em consideração até tomar essa decisão.
E qual dos três o senhor acha que tem maior possibilidade de crescer ao longo do processo?
A Rose tem a história dela, tem trabalho prestado, tem a preferência de alguns prefeitos do interior. Mas o Ramalho é um candidato que tem vontade de ser senador, está trabalhando para ser senador, está disposto a ser candidato avulso ao Senado. E isso pode fazer a diferença na corrida eleitoral. O candidato que acorda mais cedo, que trabalha, que luta e que quer ser senador com todo o empenho que ele quer ser pode fazer a diferença. Então, acredito que, caso o Da Vitória não aceite a candidatura, o Ramalho passa a ser um candidato competitivo, principalmente porque ele é uma novidade no processo eleitoral.
Por que o senhor acha que ele é quem tem o maior potencial e crescimento?
É um candidato novo, tem baixa rejeição, milita na área da segurança, que é um dos calcanhares de Aquiles de qualquer governo. E ele tem uma imagem boa perante o público capixaba. Só precisa chegar no interior, porque, na Grande Vitória, acredito que ele vai ganhar a eleição.
E pode ser, dos três, quem mais agrega ao governador, pensando naquilo que o senhor disse no início, sobre a necessidade de ter um perfil diferente?
Como o Renato é um candidato de centro-esquerda, e Ramalho é um candidato de centro-direita, ele pode ser um fator agregador melhor para o Renato.
Por ter um perfil bem diferente?
Por ter um perfil bem diferente.
E como Ramalho poderia vencer essa barreira no interior, uma vez que, ao contrário de Rose e Da Vitória, ele não tem essa rede de prefeitos e vereadores de cidades pequenas trabalhando a favor dele?
Da mesma forma que o [Marcos] Do Val venceu [em 2018]. Ninguém conhecia o Do Val nem na Grande Vitória. Mas, a partir do momento que ele passou a ser conhecido na Grande Vitória e a crescer nas pesquisas na Grande Vitória, ele acabou conquistando o interior. Eu acredito que qualquer candidato que seja o candidato de Renato Casagrande ao Senado tem um papel muito importante e pode ganhar a eleição, seja Ramalho, seja Da Vitória, seja Rose.
O governador já declarou e reiterou que só um candidato ao Senado terá o apoio dele e que ele inclusive, pessoalmente, prefere que seu grupo de partidos aliados lance só um candidato a senador. Portanto, desses três, dois não terão o apoio dele. Suponhamos que Rose não seja a escolhida. Ela levará o MDB para outro candidato a governador?
Rose é a presidente [estadual] do MDB, tem o partido nas mãos, então ela poderá, sim, fazer esse movimento, possibilidade que nem o Ramalho nem o Da Vitória têm. Mas, como o TSE decidiu que é possível lançar candidaturas avulsas ao Senado, acredito que isso favoreceu muito o Ramalho, porque a gente sabe que a vontade do Podemos é que ele seja candidato a deputado federal. E ele já deixou claro que não é candidato a federal, que é candidato a senador.
Quando o senhor diz “a vontade do Podemos”, leia-se a vontade do Gilson Daniel, presidente estadual do partido?
O Podemos como um todo. Acho que tanto Arnaldinho [Borgo] como Gilson queriam que Ramalho fosse candidato a federal, para tentar fazer uma vaga de deputado federal. Se Ramalho não for candidato a deputado federal, o Podemos terá sérias dificuldades para alcançar legenda e fazer um deputado federal.
Ramalho já disse estar disposto a lançar candidatura avulsa o Senado. Mas o Podemos topa isso? O Gilson Daniel vai bancar isso?
O Podemos terá que amadurecer essa ideia. Se eles perceberem que não têm possibilidade de fazer um federal, mas têm possibilidade de fazer um senador, eles podem acabar embarcando na onda do Ramalho.
E Gilson Daniel faria isso, mesmo contrariando a vontade expressa do governador?
Não conversei com Gilson sobre isso. Mas, como Ramalho pode ser um candidato avulso, dificilmente o governador vai trabalhar para impedir uma candidatura dessas, já que a legislação permite.
E essa candidatura de Ramalho também poderia ajudar o governador, na medida em que também poderia tirar votos, digamos, de Magno Malta (PL)?
Desde que o governador não o veja como um preterido, mas sim como um aliado, paralelo ao projeto dele.
Nesse sentido, Ramalho poderia até dar uma força para Rose, quem sabe… não tirar votos de Rose, mas talvez de um adversário em comum…
Justamente.
E Da Vitória, para completar o trio? Se não for ele o escolhido pelo governador, o que fará ele e o que fará o PP? Topará uma candidatura avulsa, como pode acontecer com Ramalho?
Acho que hoje não existe essa possibilidade, porque o Da Vitória nunca se colocou como candidato a senador. Ele tem pretensões, mas nunca se assumiu como candidato a senador. Portanto, a candidatura dele depende mais dele do que do governador. E, como até hoje ele não se colocou como candidato ao Senado, ele não pode reclamar se for preterido pelo governador.
E o PP não vai para uma candidatura avulsa ao Senado?
Não. O PP, não. O Da Vitória só será candidato se ele for candidato com o apoio do governador.
Só se o cavalo passar arreado?
Exato.
O senhor disse que o vice tem que ser quem mais agregue ao governador. O que Da Vitória, Marcus Vicente e Ricardo agregam à campanha dele?
O Da Vitória, por ser um jovem na política, por ser parlamentar e por ser bem articulado com empresários e com o interior, pode agregar na chapa de Renato, que já tem mais de 60 anos. Ricardo Ferraço já foi vice, já foi senador, tem uma experiência de gestão, é uma pessoa que passa mais confiança para o eleitor e trabalha com a possibilidade de o Renato deixar o governo em 2026 para ser candidato a senador. A única vantagem do Ricardo seria essa. O governo estaria nas mãos de alguém que o Estado já conhece. Acredito que, para o governador, esse é um dos critérios que mais o preocupa. Se ele tem o desejo de ser senador de novo, ele vai ter que deixar o Estado nas mãos de alguém que a sociedade confia, acredita e sabe que tem experiência para conduzir o Estado, mesmo que seja por um curto período.
Na sua opinião, é o que está no horizonte de Casagrande? Vencendo a eleição este ano, ele será mesmo candidato a senador em 2026?
Não sei. Mas acho que ele precisa rejuvenescer a chapa dele e de alguém com experiência e com capacidade de articulação entre o interior e a capital. Esse nome é o perfil ideal para o Renato.
Por esse perfil que o senhor traça, no quesito “juventude” o Ricardo não agrega… O Gilson Daniel, sim. Pensando naquilo que o próprio governador sempre fala, da sua preocupação com a formação de novos líderes políticos, renovação dos quadros etc., isso seria um trunfo para o Gilson?
Eu acredito que o Ferraço, apesar de ser Ferraço filho, já passou pelo governo, foi senador, já não tem essa característica de jovem, de novidade na política que talvez precisaria agregar na chapa. O PSDB tem outro nome: tem o Léo de Castro, por exemplo, que é um jovem empresário, empreendedor, ex-presidente da Findes, tem boa relação com um público de centro-direita. Poderia ser um nome agregador para a chapa de Renato Casagrande.
Sobre Léo de Castro, a gente ouve muito o nome dele ser ventilado, mas, de concreto, o que é que existe em relação a uma candidatura dele? O nome dele está mesmo sendo considerado para vice de Casagrande, ou isso não passa de especulação de gente que deseja emplacá-lo?
A gente vive hoje numa sociedade dividida em perfis de eleitores. Tem eleitores que gostam dos políticos. Tem o eleitor que gosta da política, mas não gosta de todos aqueles políticos tradicionais. Então, pode ser que esse eleitor que vai votar, mas não quer votar sempre nos mesmos possa se sentir representado por um cara com o perfil do Léo, que é um jovem empreendedor, daria uma cara mais empresarial ao governo de Renato e seria uma novidade no processo eleitoral.
Mas isso existe mesmo? Ou não passa de fumaça?
Onde há fumaça há fogo.
E ele quer? O senhor já conversou com ele a respeito?
Eu acho que ele toparia essa empreitada.
Ele abriu isso para o senhor?
Conversamos sobre política em alguns momentos. Acredito que ele preencheria um espaço diferenciado na chapa de Renato.
O senhor o apoia?
Não tenho dificuldade nenhuma.
Acha um bom nome?
Acho que agrega muito para a chapa de Renato.
E traz para Casagrande o PSDB, um partido importante por seu tamanho, sua história…
E que tem uma chapa boa de deputados estaduais. Tem lá alguns elementos disputando para federal. É um partido importante, que tem um pouco de história também. Para resumir essa parte sobre o vice, o PSDB tem dois bons nomes: Léo de Castro e Ricardo; o PP tem dois nomes: Marcus Vicente e Da Vitória; e o Podemos tem dois nomes: Gilson Daniel e a gente não pode descartar até a possibilidade de o Ramalho virar vice. É um militar, transita bem, está cotado para o Senado, então seria o Ramalho e o Gilson Daniel. Quem sabe resolveriam o problema do Podemos colocando o Ramalho de vice? Se Da Vitória não aceitar ser candidato e encaixarem o Ramalho de vice, a Rose fica sozinha, nadando na raia que ela quer.
Mas aí Gilson Daniel desce para deputado estadual, não é?
Possivelmente. Mas pode ser uma solução.
E Ramalho também atenderia a esse critério de “jovem liderança”…
Jovem, militar, centro-direita… Numa chapa com Renato, seria um bom vice para ele.
Ele não é muito bolsonarista para compor chapa com Casagrande?
Ele não é “muito bolsonarista”. Ele é da direita moderada, que dialoga com todo mundo. Ramalho, Da Vitória e eu somos eleitores de Bolsonaro, mas não somos da direita radical, que acha que quem não é de direita não presta. Caso o maior problema de Renato seja escolher um candidato a senador, se Da Vitória desiste e ficam Rose e Ramalho, ele poderia resolver esse problema colocando Ramalho de vice e a Rose senadora. Seria uma saída política.
E, se o governador puxar o Gilson Daniel para vice, aí o Ramalho tem que desistir de disputar o pleito…
Aí é um problema que o Podemos tem que definir. Não dá para ter os dois.